quarta-feira, 7 de abril de 2010

DANÇA


Professora: Luciene Diniz.


DANÇA

TÓPICOS:

- O Que é dança ?
- História da dança .
- Dança e Educação ( Formas de ensinar e aprender );
- Classificação e Gêneros.
- Relação com o Surrealismo.


A dança\é uma das três principais artes cênicas da Antiguidade, ao lado do teatro e da música. Caracteriza-se pelo uso do corpo seguindo movimentos previamente estabelecidos ( coreografia ) ou improvisados ( dança livre). Na maior parte dos casos, a dança, com passos cadenciados é acompanhada ao som e compasso de música e envolve a expressão de sentimentos potencializados por ela.

A dança pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento ou cerimônia. Como arte, a dança se expressa através dos signos de movimento, com ou sem ligação musical, para um determinado público, que ao longo do tempo foi se desvinculado das particularidades do teatro.

Atualmente, a dança se manifesta nas ruas em eventos com “Dança em Trânsito”, sob forma de vídeo, no chamado “vídeo-dança”, e em qualquer outro ambiente em que for contextualizado o propósito artístico.


HISTÓRIA DA DANÇA.

A história da dança cênica representa uma mudança de significação dos propósitos artísticos através do tempo.

Com o Balé Clássico, as narrativas e ambientes ilusórios é que guiavam a cena. Com as transformações sociais da época moderna, começou-se a questionar certos virtuosismos presentes no balé e começaram a parecer diferentes movimentos de Dança Moderna. É importante notar que nesse momento, o contexto social inferia muito nas realizações artísticas, fazendo com que então a Dança Moderna Americana acabasse por se tornar bem diferente da Dança Moderna Européia, mesmo que tendo alguns elementos em comum.

A dança contemporânea surgiu como nova manifestação artística, sofrendo influências tanto de todos os movimentos passados, como das novas possibilidades tecnológicas ( vídeo, instalações). Foi essa também muito influenciada pelas novas condições sociais individualismo crescente,urbanização,propagação e importâncias da mídia, fazendo surgir novas propostas de arte, provocando também fusões com outras áreas artísticas como o teatro por exemplo.


DANÇA E EDUCAÇÃO.

Rodrigo Amorim (2000) considera a educação como evolução e transformação do indíviduo, considerando a dança como um contínuo da Educação Física, expressão da corporeidade dos nossos alunos, a dança na escola deve proporcionar oportunidades para que o aluno possa desenvolver todos os seus domínios do comportamento humano e, através de diversificações e complexidades, o professor possa contribuir para a formação de estruturas corporais mais complexas. O educador físico se utiliza da dança mas no aspecto biológico que é a sua área de atuação.

CLASSIFICAÇÃO E GÊNEROS.


Várias classificações das danças podem ser feitas, levando-se em conta diferentes critérios.

- Quanto ao modo de dançar:
*dança solo (ex: coreografia de solista no balé, sapateado);
*dança em dupla ( ex: tango, salsa, valsa, forró etc);
*dança em grupo( ex: danças de roda , sapateado).

-Quanto à origem:
*dança folclórica (ex: catira,carimbó,reisado etc);
*dança histórica (ex: sarabanda, bourré, gavota etc);
*dança cerimonial (ex: danças rituais indianas);
*dança étnica (ex: danças tradicionais de países ou regiões).

-Quanto à finalidade:
*dança erótica (ex: can can, striptease, pole dancing);
*dança cênica ou performática ( ex:balé, dança do ventre, sapateado);
*dança social (ex: dança de salão, axé);
*dança religiosa – dança profética( ex: dança sufi).

Dança, movimentos corporais rítmicos, geralmente acompanhados de música, que seguem um padrão e funcionam como forma de comunicação ou expressão. A dança é a transformação de funções normais e expressões corriqueiras em movimentos fora do comum com propósitos extraordinários. A dança pode incluir um vocabulário pré-estabelecido de movimentos, como no balé e na dança folclórica européia, ou pode utilizar gestos simbólicos ou mímicos, como em inúmeras danças asiáticas , pessoas de diferentes culturas dançam de maneira distinta por várias razões, e os diversos tipos de dança revelam muito sobre o modo como vivem.


A dança pode ser recreativa, ritual ou artística. Pode contar uma história, servir a propósitos religiosos, políticos, econômicos e sociais; ou pode ser uma experiência agradável, excitante, de valor meramente estético.

Existem dois tipos principais de dança: danças de participação coletiva, que não precisam de espectadores, e danças que são representadas, desenhadas para um público. As danças participativas incluem danças de trabalho, algumas formas de danças religiosas e danças recreativas, como as festas campestres e os bailes populares e sociais. Para que toda a comunidade possa participar, essas danças têm, geralmente, um esquema simples de passos repetitivos e fáceis de aprender. As danças representadas costumam ser executadas em templos, teatro, ou diante de uma corte real, como antigamente os dançarinos, neste caso, são profissionais e sua dança pode ser considerada uma arte. Os movimentos tendem a ser relativamente difícies e exigem treinamento especializado.

PROPÓSITOS SURREALISTAS:

Utilizando a dança como forma de interação, podemos notar uma mudança no seu desenvolvimento comportamento e social, proporcionando uma maior disponibilidade em conviver com os outros amigos. A dança une as pessoas e estas externam na dança suas emoções, aguça a sua imaginação e ativa a sua criatividade, isto tudo é reforçado e mostra semelhança com os propósitos surrealistas, que também através de suas pinturas, esculturas entre outras artes , davam vazão à imaginação e ao inconsciente em suas criações , pois, segundo as teses psicanalíticas de Sigmund Freud nos diz: ‘O homem deve libertar sua mente da lógica ,imposta pelos padrões comportamentais e morais estabelecidos pela sociedade e dar mais importância às informações do inconsciente.

Quanto ao vídeo exibido podemos verificar que a dança envolve de tal forma, que até uma criança com dificuldades de interação com as outras crianças, se solta e usa a imaginação , ou seja, através dos movimentos corporais, com ou sem ligação musical, neste caso em especial para crianças surdas, elas expressam seus sentimentos através de uma liberdade de expressão estimula seus sentidos como: visão, audição e tato.

A criança aprende em ritmo e dança, partindo desse ponto, algumas crianças e até adolescentes precisam de certos estímulos como:
1º ) criar uma motivação;
2º ) verificar e oferecer estímulos para conhecer possibilidades corporais, ou seja , nem sempre o que um dança com facilidade significará que o outro irá acompanhar, cada um têm um estilo de dançar.

Este vídeo nos mostra exatamente isso , isto é, que há várias formas de ensinar como: alguns são visuais neste caso é preciso o educador mostrar ou exibir um vídeo sobre dança ou até mesmo ele mesmo fazer uma demonstração, já outros são auditivos então é necessário a utilização de música ou até conversando com este sobre dança e seus movimentos e outros precisam de um acompanhamento de perto , estes assimilam os movimentos corretamente com o apoio tátil do professor, todas essas formas mostram a possibilidade de aprendizado.

De acordo com Nanni (1998), os movimentos básicos, as habilidades quando desenvolvidas sob o aspecto “lúdico”, favorecem para a participação ativa da criança, aprendendo a liberar e expressar suas emoções pela exploração do movimento, do espaço e do tempo rítmico.
Oferecer a criança a oportunidade de mover-se usando da sua criatividade, significa estabelecer experiências que propiciarão desenvolver habilidades motoras fundamentais por meio de padrões básicos de movimentos.

O que vai diferenciar um professor de Educação Física dos demais atendentes da Educação Infantil é a comunicação, a compreensão, a leitura, a interação e o envolvimento, a promoção da evolução da criança por intermédio das manifestações corporais , do movimento, do jogo e das atividades lúdicas,seria por que não a Comunicação corporal com as crianças ,adolescentes e adultos.







Referência Bibliográfica:

http://www.cauiaficha.com.br/cultura/dança.html
Silva, Pereira Gastão. Para Compreender Freud. Editora Itatiaia Limitada. Belo Horizonte, 1968. Artigo lido em sala de aula título: "O sentido do sentir: Corpos dançantes em Cadeira de Rodas.

"A dança não é só técnica, os gestos se apresentam carregados de sentidos, devendo ser compreendida como um discurso não-verbal". Eliana Lucia Ferreira(2000) Professora de Educação Física da Unicamp(Campinas).


Esta pesquisa sinaliza que a dança pode contribuir para o auto-conhecimento, para descobertas de transformações sociais,como forma de expressão e comunicação.

A dança em cadeira de rodas é uma atividade física que possibilita e permite a participação de pessoas portadoras de deficiência física, no desenvolvimento das diversa modalidaes da dança, sendo um trabalho recente, com pouca tradição e sem muitos documentos que ofereçam subsídios para a discussão desta proposta, no entanto, atualmente há um esforço crescente para o seu desenvolvimento, buscando o desenvolvimento, a divulgação e compreensão da mesma.

O grupo de dança em cadeira de rodas existentes têm suas iniciativas calcadas no princípio que visa . colocar o conhecimento produzido pela dança, a uma população, até então desacreditada no que se refere às possibilidades de movimentos.

Métodos: O trabalho de campo foi realizado com o grupo de dança, que participou do grupo Ázigo, no período de 1990 à 1996, constituído de 4 mulheres e 3 homens com idade entre 15 e 30 anos, que concordaram voluntariamente em participar desta pesquisa, o qual foi trabalhado em 2 intâncias: 1)VERBAL.
2)NÃO VERBAL.
No VERBAL foram realizadas diversas leituras de texto baseado na vertente Francesa,segundo ométodo de Orlandi(1990) chamada Analise do discurso(AD) e no NÃO-VERBAL a metodologia Laban(1978), constituído por vídeos, fotos e slides que mostram a coreografia.

A leitura abriu caminho para a compreensão dos sentidos da dança, já segundo Laban(1978) em relação ao movimento:
1) A parte do corpo que se move;
2) A trajetória percorrida;
3) E o tempo necessário para a execução da trajetória.

* Em relação ao dançarino:
1) Quem dança;
2) Para quem dança;
3) onde dança;
4) E como se dança.

Neste sentido, a cadeira de rodas, proporciona a liberdade e a capacidade de movimentar-se, logo, ao permitir a execução dos movimentos, a cadeira de rodas, que representava a materialização da falha, transforma-se em um elemento da dança que proporciona o movimento, que é a combinação de força, tempo, espaço e fluência(Laban,1978).


A presença da cadeira de rodas na dança, evoca a falha, o defeito, os quais produzem sentidos que precisam ser melhor compreendidos para a construção de uma sociedade humanitária,ou seja, seguindo até os propósitos surrealistas citados por Sigmund Freud, de quebrar paradgmas e relacionado a Pintura "Girafas em chamas" que nos mostra várias posssibilidades de explorar o corpo humano, a partir do momento em que se visualiza várias gavetas saindo de umcorpo, ou seja, as várias possibilidades do ser humano de se recriar perante diversas situações que a vida lhes propõe.

As pessoas portadoras de deficiência física possuem o desejo, não apenas de utilizar suas capacidades de movimento, mas também de significar pela linguagem corporal.

Tudo isso acaba refetindo no modo em que estes próprios cadeirantes, se vêem, ou seja, segundo suas próprias palavras: "Agora, eu me sinto uma pessoa normal, não vejo as pessoas me olhando como deficiente...".

O deficiente tem a dança,como mais uma forma de expressão e comunicação.Finalmente, é apontado neste artigo que a deficiência é um estado concreto, e além disso, significada de uma maneira historicamente(imposta), ou seja, o desenvolvimento com a dança, ou qualquer outra atividade esportiva ou social, não vai deixar o deficiente menos deficiente, no seu estado concreto. Dançar sobre uma Cadeira de Rodas, ou não, é apenas um direito que as pessoas têm.

Referência Bibliográfica:

Artigo:Revista da Faculdade de Educação Física da Unicamp, Campinas,V.O,N.4,p.89-98,jan/jun.2000.




*História Moderno/Contemporâneo



A Dança Moderna se constitui numa autêntica revolução aberta contra o sistema de movimentos rígidos da dança clássica,caracterizando-se por isso mesmo pela inteira liberdade de movimentos e de expressão , mas com o necessário cuidado para não prejudicar a beleza das formas , das linhas e do equilíbrio estético. Procura dar mais ênfase aos sentimentos.



A Dança Contemporânea pode ser mais bem descrita como uma dança pós-moderna. No Brasil, ela se firmou como um estilo próprio na década de 1990 e possui características bastante semelhantes ao moderno - tais como liberdade técnica, ruptura com a rigidez clássica, participação e interação dos bailarinos nas aulas e nas montagens coreográficas - mas apresenta outras características que lhes são peculiares.



Entre os grandes nomes da Dança Moderna e Contemporânea destacam-se: Isadora Duncan , Ruth Sant Denis, Ted Shaw , Martha Graham, Rudolf Von Laban , Mary Wigman, Doris Humphrey, Charles Weidman, Hanya Holm, José Limon, Pina Bauch, Mecie Cunnigham, Forcite e no Brasil: Mario Nascimento,Rodrigo Pederneiras, Deborah Colker, Sandro Borelli, entre outros.

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO/SURREALISMO





PROFESSOR:Maurício

CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO/SURREALISMO.



O Crescimento da Criança Segundo Piaget



Introdução

Quem foi Jean Piaget

O que se entende por estádios de desenvolvimento

Estádios de desenvolvimento:

- Estádio sensório - motor

- Estádio pré - operatório

- Estádio das operações concretas

- Estádio das operações formais

Como se efectua a passagem ao estádio seguinte

Conclusão

Bibliografia



Introdução

No âmbito da disciplina de Psicologia foi- nos proposto a realização de um trabalho - Os estágios de desenvolvimento segundo Piaget.

Neste trabalho, tentarei dar resposta às seguintes questões: "Quem foi Jean Piaget" e "O que se entende por estágios de desenvolvimento".

Abordarei, de seguida, os quatro estágios de desenvolvimento:

o Estágio sensório- motor (dos 0 aos 18/24 meses)

o Estágio pré- operatório (dos 2 aos 7 anos )

o Estágio das operações concretas ( dos 7 aos 11/12 anos)

o Estágio das operações formais ( dos 11/12 aos 15/16 anos)

Com este trabalho pretendo alcançar os objectivos propostos.



Quem foi Jean Piaget

Jean Piaget (1896-1980) foi um psicólogo e filósofo suíço, conhecido pelo seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando o seu processo de raciocínio. Os seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia.



O que se entende por estágios de desenvolvimento

A noção de estágio é, de certo modo, artificial e surge como instrumento de análise, indispensável para a explicação dos processos e das características que se vão formando ao longo do desenvolvimento da criança.

A criança, à medida que evolui vai-se ajustando à realidade circundante, e superando de modo cada vez mais eficaz, as múltiplas situações com que se confronta.

Se uma criança de 3 anos resolve determinado problema, suscitado pelo meio, que não conseguia aos 2 anos, é porque possui, a partir de agora uma determinada estrutura mental diferente da anterior e, de certo modo, superior, porque lhe permite resolver novos problemas e ajustar- se à situação.

Os sucessivos ajustamentos da criança ao meio que se vão manifestando ao longo do seu desenvolvimento deve interpretar- se em função desses mesmos estádios.

Os vários psicólogos da criança não são unânimes no que se refere à sucessão dos estádios, na medida em que cada um os aplica como instrumentos da sua própria teoria explicativa.

Piaget refere-se a estágios não numa perspectiva global, mas cada estádio não comportando todas as funções: mentais, fisiológicas, sociais e afectivas, mas somente funções específicas. Assim considera a existência de estádios diferentes relativamente à inteligência, à linguagem e à percepção. Piaget refere que a aceitação da noção de estádio exige determinados pressupostos, tais como:

-Carácter integrado de cada estágio. As estruturas construídas e específicas de determinada idade da criança tornam- se parte integrante da estrutura da idade seguinte;

-Estrutura do conjunto. Os elementos constituintes de determinado estádio estão intimamente ligados entre si e contribuem conjuntamente para caracterizar determinada conduta;

-Todo o estágio tem um nível de preparação e um nível de consecução .O estádio não surge definido e acabado, mas evolui no sentido da sua superação.

- As crianças podem iniciar e terminar determinado estádio em idades diferentes. O período estabelecido para delimitar os estádios é médio.

Os estágios de Piaget colocam a tónica na função intelectual do desenvolvimento. Ele não nega a existência e a importância de outras funções, mas delimita e especifica o campo da sua investigação ao domínio da epistemologia genética.

A psicologia da criança, em Piaget, quase se identifica com uma psicologia da inteligência.





Estágios de desenvolvimento

Cada estágio é definido por diferentes formas do pensamento. A criança deve atravessar cada estágio segundo uma sequência regular, ou seja, os estágios de desenvolvimento cognitivo são sequenciais. Se a criança não for estimulada / motivada na devida altura não conseguirá superar o atraso do seu desenvolvimento. Assim, torna-se necessário que em cada estádio a criança experiêncie e tenha tempo suficiente para interiorizar a experiência antes de prosseguir para o estádio seguinte.

Normalmente, a criança não apresenta características de um único estágio, com excepção do sensório - motor, podendo reflectir certas tendências e formas do estágio anterior e / ou posterior, Ex. : uma criança que se encontre no estágio das operações concretas pode ter pensamentos e comportamentos característicos do pré-operatório e / ou algumas atitudes do estádio das operações formais.



Estágio sensório- motor (0 - 18/24 meses)

A actividade cognitiva durante este estádio baseia-se, principalmente, na experiência imediata através dos sentidos em que há interacção com o meio, esta é uma actividade prática. Na ausência de linguagem para designar as experiências e assim recordar os acontecimentos e ideias, as crianças ficam limitadas à experiência imediata, e assim vêem e sentem o que está a acontecer, mas não têm forma de categorizar a sua experiência, assim, a experiência imediata durante este estágio, significa que quase não existe nada entre a criança e o meio, pois a organização mental da criança está em estado bruto, de tal forma que a qualidade da experiência raramente é significativa, assim, o que a criança aprende e a forma como o faz permanecerá como uma experiência imediata tão vivida como qualquer primeira experiência. A busca visual é um comportamento sensório-motor e é fundamental para o desenvolvimento mental, pois este tem que ser aprendido antes de um conceito muito importante designado por permanência do objecto. À medida que as crianças começam a evoluir intelectualmente compreendem que, quando um objecto desaparece de vista, continua a existir embora não o possam ver, pois ao saberem que esse desaparecimento é temporário, são libertas de uma incessante busca visual. A experiência de ver objectos nos primeiros meses de vida e, posteriormente, de ver os mesmos objectos desaparecer e aparecer tem um importante papel no desenvolvimento mental. Assim, podemos afirmar que a ausência de experiência visual durante o período crítico da aprendizagem sensório - motora, impede o desenvolvimento de estruturas mentais. Sendo durante este estágio que os bebés aprendem principalmente através dos sentidos e são fortemente afectados pelo ambiente imediato, mas contudo, sendo também neste estágio que a permanência do objecto se desenvolve, podemos então afirmar que, os bebés são capazes de algum pensamento representativo, muito semelhante ao do estágio seguinte, pois seria um erro afirmar que, sendo a sua fala, gestos e manipulações tão limitadas, não haveria pensamento durante o período sensório-motor. “Nada substitui a experiência”, é uma boa síntese do período sensório-motor do desenvolvimento cognitivo, pois é a qualidade da experiência durante este primeiro estágio que prepara a criança para passar para o estágio seguinte.



Estágio Pré-operatório (2 - 7 anos)

Este estágio também chamado pensamento intuitivo é fundamental para o desenvolvimento da criança. Apesar de ainda não conseguir efectuar operações, a criança já usa a inteligência e o pensamento.Este é organizado através do processo de assimilação, acomodação e adaptação.

Neste estágio a criança já é capaz de representar as suas vivências e a sua realidade, através de diferentes significantes:

- Jogo : Para Piaget o jogo mais importante é o jogo simbólico (só acontece neste período), neste jogo predomina a assimilação (Ex. : é o jogo do faz de conta, as crianças "brincam aos pais", "ás escolas", "aos médicos", ...). o jogo de construções transforma-se em jogo simbólico com o predomínio da assimilação (Ex. : Lego - a criança diz que a sua construção é, por exemplo, uma casa. No entanto, para os adultos "é tudo menos uma casa").

Inicialmente (mais ao menos aos dois anos), a criança fala sozinha porque o seu pensamento ainda não está organizado, só com o decorrer deste período é que o começa a organizar, associando os acontecimentos com a linguagem na sua acção.

A criança ao jogar está a organizar e a conhecer o mundo, por outro lado, o jogo também funciona como "terapia" na libertação das suas angustias. Além disto, através do jogo também nos podemos aperceber da relação familiar da criança (Ex. : Quando a criança brinca com as bonecas pode mostrar a sua falta de amor por parte da mãe através da violência com que brinca com elas).

- Desenho : Até aos dois anos a criança só faz riscos, sem qualquer sentido, porque, para ela, o desenho não tem qualquer significado.

A criança, aos três anos já atribui significado ao desenho, fazendo riscos na horizontal, na vertical, espirais, círculos, no entanto, não dá nome ao que desenha. Tem uma imagem mental depois de criar o desenho.Mas aos quatro anos a criança já é mais criativa e começa a perceber os seus desenho e projecta no desenho o que sente.

De um modo geral, podemos dizer que, neste estágio, o desenho representa a fase mais criativa e diversificada da criança.

A criança projecta nos seus desenhos a realidade que ela vive, não há realismo na cor, e também não há preocupação com os tamanhos. Nesta fase os desenhos começam a ser mais compreensíveis pelos adultos. A criança vai desenhar as coisas à sua maneira e segundo os seus esquemas de acção e não se preocupa com o realismo. Também aqui a criança vai utilizar a assimilação.

- Linguagem : A linguagem, neste período, começa a ser muito egocêntrica, pouco socializada, ou seja, a linguagem está centrada na própria criança. Ela não consegue distingir o ponto de vista próprio, do ponto de vista do outro e, por isso, revela uma certa confusão entre o pessoal e o social, o subjectivo e o objectivo. Este egocentrismo não significa egoísmo moral. Traduz, "por um lado, o primado da satisfação sobre a constatação objectiva ... e, por outro, a deformação do real em função da acção e ponto de vista próprios. Nos dois casos, não tem consciência de si mesmo, sendo sobretudo uma indissociação entre o subjectivo e o objectivo ...".Isto manifesta-se através dos monólogos e dos monólogos colectivos, (Ex. : quando num grupo de crianças estão todas a falar, dá a sensação que estão a conversar umas com as outras, mas não, estão sim todas a falarem sozinhas e ao mesmo tempo, ou seja, cada uma está no seu monólogo e assim manifesta o seu egocentrismo).

O termo egocentrismo, característica descritiva do pensamento pré-operatório, foi progressivamente sendo utilizado por Piaget, que o substitui pelo termo descentração.

A partir dos dois anos dá-se uma enorme evolução na linguagem, a título de exemplo, uma criança de dois anos compreende entre 200 a 300 palavras, enquanto que uma de cinco anos compreende 2000. Este aumento do número de vocábulos é favorecido pela forte motivação dos pais, ou seja, quanto mais forem estimulados (canções, jogos, histórias , etc.), melhor desenvolvem a sua linguagem. Neste estádio a criança aprende sobretudo de forma intuitiva, isto é, realiza livres associações, fantasias e atribui significados únicos e lógicos. Se atentarmos a uma experiência muito conhecida de Piaget em que é dado a uma criança dois copos de água com igual quantidade de líquido, embora um alto e estreito e outro baixo e largo, intuitivamente a criança escolhe o copo alto pois no seu entender este parece conter mais água.

- Imagem e pensamento : A imagem mental é o suporte para o pensamento. A criança possui imagens estáticas tendo dificuldade em dar-lhe dinamismo. O pensamento existe porque há imagem. É um pensamento egocêntrico porque há o predomínio da assimilação, é artificial. Na organização do mundo a criança dá explicações pouco lógicas.



Entre os 2 e os 7 anos distinguem-se dois subestágios: o do pensamento intuitivo e o do pensamento pré - conceptual. O pensamento intuitivo surge a partir dos 4 anos, permitindo que a criança resolva determinados problemas, mas este pensamento é irreversível, isto é, a criança está sujeita às configurações preceptivas sem compreender a diferença entre as transformações reais e aparentes. No pensamento pré - conceptual domina um pensamento mágico, onde os desejos se tornam realidade e que possui também as seguintes características:

Animismo - A criança vai dar características humanas a seres inanimados.Este animismo vai desaparecendo progressivamente, aqui salienta-se a importância do papel do adulto, na medida que, a partir, sensivelmente dos cinco anos, não deve reforçar, mas sim atenuar o animismo.

Realismo - A realidade é construída pela criança. Se no animismo ela dá vida às coisas, no realismo dá corpo, isto é, materializa as suas fantasias. Se sonhou que o lobo está no corredor, pode ter medo de sair do quarto.

Finalismo - Existe uma relação entre o finalismo e a causalidade. A criança ao olhar o mundo tenta explicar o que vê, ela diz que se as coisas existem têm de ter uma finalidade, no entanto, esta ainda é muito egocêntrica. Tudo o que existe, existe para o bem essencial dela própria. Também aqui o adulto reforça o finalismo. Vai diminuindo progressivamente ao longo do estádio, apesar de persistir mais tempo que o animismo, devido às atitudes e respostas que os adultos dão às crianças.

Com o decorrer do tempo, os pais terão de ensinar, à criança, novos conceitos, de modo que futuramente ela não tenha dificuldade em aprendê-los.

Artificialismo - É a explicação de fenómenos naturais como se fossem produzidos pelos seres humanos para lhes servir como todos os outros objectos: o Sol foi aceso por um fósforo gigante; a praia tem areia para nós brincarmos.



Piaget, considerou a irreversibilidade uma das características mais presentes no pensamento da criança pré-operatória, para melhor entendermos este ponto, tomemos em conta a seguinte experiência:

Piaget questionou uma criança de quatro anos : "Tens uma irmã? Sim, e a tua irmã tem uma irmã? Não, ela não tem uma irmã, eu sou a minha irmã". Através das respostas dadas pela criança Piaget apercebeu-se da grande dificuldade que estas têm em compreender a reversibilidade das relações. No seu entender, a criança não tem mobilidade suficiente para compreender que quando uma determinada acção já está realizada podemos voltar atrás. Desta forma, podemos dizer que as estruturas mentais neste estádio são amplamente intuitivas, livres e altamente imaginativas.

Para concluir a abordagem a este estádio é importante referir que a criança ao contactar com o meio de forma activa está a favorecer a sua aprendizagem de uma forma criativa e original.

Este estágio é fundamental pois a criança aprende de forma rápida e flexível, inicia-se o pensamento simbólico, em que as ideias dão lugar á experiência concreta. As crianças conseguem já partilhar socialmente as aprendizagens fruto do desenvolvimento e da sua comunicação.



Estágio das operações concretas (7 - 12 anos)

Para Piaget é neste estágio que se reorganiza verdadeiramente o pensamento. Como já referi no estádio anterior as crianças são sonhadoras, muito imaginativas e criativas. É a partir deste estágio (operações concretas) que começam a ver o mundo com mais realismo, deixam de confundir o real com a fantasia. É neste estágio que a criança adquire a capacidade de realizar operações. Podemos definir operação como a acção interiorizada - realizada no pensamento, componivel - composta por várias acções ; reversível - pode voltar ao ponto de partida. A criança já consegue realizar operações, no entanto, precisa de realidade concreta para realizar as mesmas, ou seja, tem que ter a noção da realidade concreta para que seja possível à criança efectuar as operações.

Para compreendermos qual o aspecto fundamental do período que estamos a analisar, voltamos a referir a experiência dos copos de água. Se no estádio anterior a criança não conseguia perceber que a quantidade era a mesma independentemente do formato do copo, neste estádio elas já percebem que a quantidade (volume) do líquido é a mesma, pois já compreendem a noção de volume, bem como peso, espaço, tempo, classificação e operações numéricas.

- Espaço - organiza-se pela organização diferenciada dos vários espaços. A criança vai conhecendo os vários espaços nos quais interage, organizando-os. Também aqui está presente a reversibilidade do real, onde o conceito de espaço está relacionado com o conceito de operação. O espaço isolado por si só não existe.

- Tempo - não há reversibilidade do real, o tempo existe apenas no nosso pensamento, os acontecimentos sucedem-se num determinado espaço, e o tempo vai agrupando-os.

- Peso - para que a criança domine este conceito é fundamental que compare diversos objectivos para os poder diferenciar.

- Classificação - primeiro a criança tem que agrupar os objectos pela sua classe e tamanho, depois os classificar e consequentemente adquirir conceitos.

- Operações numéricas - primeiro a criança aprende o conceito de número e seriação, por volta dos sete anos, depois a classificação da realidade, mas essa classificação vai variando conforme a aprendizagem que ela vai fazendo ao longo do tempo.

Apesar de neste estádio a criança já conseguir efectuar operações correctamente, precisa ainda de estar em contacto com a realidade, por isso o seu pensamento é descritivo e intuitivo /parte do particular para o geral). Ao longo deste período já não tem dificuldade em distinguir o mundo real da fantasia. A criança já interiorizou algumas regras sociais e morais e, por isso, as cumpre deliberadamente para se proteger. É nesta fase que a criança começa a dar grande valor ao grupo de pares, por exemplo, começa a gostar de sair com os amigos, adquirindo valores tais como a amizade, companheirismo, partilha, etc., começando a aparecer os lideres.

Progressivamente a criança começa a desenvolver capacidade de se colocar no ponto de vista do outro, descentração cognitiva e social. Nesta fase deixa de existir monólogo passando a haver diálogo interno. O pensamento é cada vez mais estruturado devido ao desenvolvimento da linguagem. A criança tem já mais capacidade de estar concentrada, e algum tempo interessada em realizar determinada tarefa.



Estágio das operações formais (11/12 - 15/16 anos)

A transição para o estágio das operações formais é bastante evidente dadas as notáveis diferenças que surgem nas características do pensamento. É no estágio operatório formal que a criança realiza raciocínios abstractos, não recorrendo ao contacto com a realidade. A criança deixa o domínio do concreto para passar às representações abstractas. É nesta fase que a criança desenvolve a sua própria identidade, podendo haver, neste período problemas existências e dúvidas entre o certo e o errado. A criança manifesta outros interesses e ideais que defende segundo os seus próprios valores e naquilo que acredita.

O adolescente pensa e formula hipóteses, estas capacidades vão permitir-lhe definir conceitos e valores, por exemplo estudar determinada disciplina, como a geometria descritiva e a filosofia. A adolescência é caracterizada por aspectos de egocentrismo cognitivo, pois o adolescente possui a capacidade de resolver os problemas que por vezes surgem á sua volta.



Como se efectua a passagem ao estágio seguinte

Por vezes, as crianças observam os adultos ou outras crianças mais velhas quando estão a resolver o problemas. Notam que o fazem de uma maneira diferente da sua, por meio de regras que pertencem a outro estádio desenvolvimento e, por isso, sentem-se perdidas. Mas este sentimento, que se deve à disparidade entre elas e os mais velhos na resolução de problemas, tem os seus pontos benéficos. A criança procura então reduzir a distância que a separa das outras, mais velhas e, por isso, aprende novas regras. Se a criança for suficientemente madura imitará o modelo de acção usado pelos mais velhos e, por consequência, iniciará a sua entrada no estágio seguinte. A aprendizagem de conceitos novos e de esquemas de comportamento pode pois ser efectuada socialmente, pela observação de outras pessoas.



Conclusão

Foi- me bastante útil a realização deste trabalho uma vez que me permitiu pensar num tema que apesar de fazer parte da nossa identidade enquanto pessoa que vive em sociedade, nunca tinha sido alvo de investigação e aprofundamento da minha parte.

Devo realçar que de acordo com a definição de estágios de desenvolvimento apresentada neste trabalho, o crescimento é mais qualitativo do que quantitativo e que se caracteriza por grandes saltos em frente, seguidos por períodos de integração, mais do que por mudanças de grau lineares. A criança geralmente pensa de acordo com o estádio apropriado à sua idade, mas por vezes é capaz de um pensamento próprio do estádio seguinte, pois é a criança que está a evoluir por si sem pressões do exterior.

Espero ter conseguido alcançar os objectivos a que me propus.







Bibliografia

- Bringuier, J., Conversas com Jean Piaget, Bertrand, Lisboa, 1978.

- Piaget, Jean, Psicologia e Epistemologia, Dom Quixote, Lisboa, 1989.

- Piaget, J., Inhelder, B., A imagem mental na criança, Livraria Civilização, Porto, 1984.

Aspectos relevantes quanto à imagem corporal ligados à hormônios,obesidade e a importãncia de atividades físicas neste período.

Segundo Vilardi,Ribeiro e Soares(2001) deve se ter uma atençao especial nesta fase do desnvolvimento fiiológico,neurológico e psicológico,onde as representações dos adolescentes sobre seu corpo implicaram nas suas atitudes, e uma conduta precipitada pela busca do modelo de beleza imposto pela sociedade o qual se resulta em um corpo delineado,força a práticas de consumo restritivas de nutrientes o qual pode resultar em falhas no crescimento e até atraso da puberdade, pois nesta fase em que etão em intenso crescimento e desenvolvimento necessitam de um aporte nutricional ainda mais equilibrado,ou seja, segundo Figueiredo e Cristóvao(2008) quanto mais cedo for instalado hábitos alimentares saudáveis, melhor será sua resposta fisiológica.

Segundo Andrade(2002) o desejo de alcançar rapidamente o corpo ideal, leva a um número cada vez maior de adolescentes a interagir com esteróides anabólicos para obterem as formas desejáveis,sendo esta uma preocupação de ambos os sexos em atingir o ideal de musculatura.

Aspectos Fisiológicos,Biológicos e Nutricionais.

Segundo Duarte(2007), as imagens que visualizamos em nossa mente são originadas através dos impulsos nervosos que chegam ao cérebro por vias nervosas específicas, onde são captadas por receptores do sitema nervoso(medula espinhal e tronco encefálico) e veiculado em direção ao cérebro.No cérebro essas informações captadas são codificadas e enviadas para as áreas de associação no córtex cerebral.

De modo que interpretamos o que vemos, e para que ocorra essa interpretação,necessitamos de experiências que são adquiridas através do convívio e do relacionamento com a sociedade e suas culturas, a partir daí há uma comparação com os padrões culturais da época,desencadeando várias alterações, pois a imagem corporal, está inter-relacionada com a percepção e a representação mental.

Segundo Gallahue e Ozmun(2005) somos afetados pela biologia porque no final da infância e no ínicio da adolescência, há uma transição da maturidade sexual,que são marcados pelo ínicio da puberdade, ou seja, marcada por reações psicológicas e por mudançad físicas, sendo também marcado por aumentos acelerados, tanto no peso como na estatura, variando consideravelmente de individuo para individuo através de suas bases genéticas(genótipos) e das condições ambientais (fenótipos), sendo que este período tem ínicio antes da maturação sexual.

Segundo Silva e Dalmas(2004) esse acelerado desenvolvimento temporário é especialmente denominado como o estirão do crescimento, que se inicia nos meninos por volta dos 13 anos,estabilizando-se por volta dos 15 anos de idade, e nas meninas, inicia-se por volta de dois anos mais cedo e se estabiliza por volta dos 13 anos.

Foi observado que paralelamente à maturação sexual, ocorrem mudanças biológicas como: alterações no crescimento, na aparência física, no funcionamento das glândulas endócrinas, no timbre da voz, entre outros, essas alterações são decorrentes das modificações que o organismo do adlescente esta sofrendo devido seu crescimento.

De acordo com Galahue e Ozmun(2005) as alterações de peso na adolescência são grandes,tanto para meninos quanto para as meninas,sendo mais acentuado nos meninos, visto que este peso está relacionado ao aumento da altura e da massa muscular, que atinge em torno de 41% nos meninos e 35,8% nas meninas, existindo também diferenças na concentração de adiposidade entre meninos e meninas na fase da puberdade, devido à alterações hormonais, ocorrendo nos meninos uma redução de 4% e nas meninas um aumento de 13% na massa adiposa.

Segundo Dâmaso e Tock(2005) o que determina o aumento excessivo de células adiposas,são os maus hábitos alimentares e também a não pouca ou a não prática de atividades físicas, contribuindo para um futuro de inúmeras patologias.Lembrando que não ganhar peso ou a perda real de peso,pode estar relacionado à dietas, prática de exercícios ou por fators hereditários.

Segundo Campos(2002) um dos principais fenômenos psicossocias decorrentes das mudanças ocorridas na puberdade,normalmente está a preocupação com o excesso de peso, mais evidentes nas meninas que acabam por buscar métodos de redução de peso.

Segundo Campos(2002) é natural que o adolescente se interesse peloseu corpo em mudanças,mas também pela conciência da impressão que causa nos outros,isso tudo impulsionado pela mídia que pressiona para um padrão de beleza física longe de ser o mais saudável, e até para ser aceito no grupo acaba por utilizar-se de substãncias nocivas a saúde acreditando transmitir impressão de independência e status. Segundo Barros(2005) transtornos de imagem como: -Bulimia; -Anorexia e -Vigorexia é um refexo da obscessão com as formas do corpo,relacionado a um contexto sócio-cultural, e impulsionado pela mídia.

Segundo Gallahue e Ozmun(2005) as práticas alimentares para a redução de peso podem estar associadas com o atraso doaparecimento da menarca.

Segundo Sallis e Taylor(2000) a ativiade física auxilia no desenvolvimento do adolescente e na redução dos riscos de futuras doenças, além de exercer importantes efeitos psicossocias, por outro nesta fase pode causar riscos,envolvendo desde lesões corporais até deficiências nutricionais, traumatismo causado por quedas ou por fadigas repetitivas e excessivas, bem como segundo estudos de Green e Bray(2001) a utilização de anabolizantes, adquiridos pelo terinador, parentes, amigos e até através de outros médicos.

O que se deve estimular é o esporte como lazer, onde através dos exercícios adequados que estimulem a criatividade, e outros aspectos que envolvem o desenvolvimento social, moral, além de proporcionar novas amizades através das interações vivenciadas pelas atividades em grupos, ter a consciência de que o foco está nas necessidades do aluno, orientando-os em um processo consistente e coerente na busca de uma melhor qualidade de vida.
CONTROLE DA MATURAÇÃO
O hipotálamo e as glândulas pituitárias, estruturas no cérebro que secretam hormônio, produzem hormônios que, entre suas outras funções, controlam o crescimento e a maturação. No momento adequado, esses hormônios desencadeiam aumentos na altura e no peso e regulam a estrutura do corpo (se a pessoa tende a ser alta ou baixa, magra ou gorda, etc).

Quando uma criança saudável está entre seus 9 e 16 anos, ele ou ela entra na puberdade. A idade exata depende de fatores como hereditariedade e nutrição e se a criança é menino ou menina. Em média, os meninos entram na puberdade 2 anos mais tarde que as meninas. Nesse momento, as glândulas pituitária e hipotálamo (glândulas endócrinas) começam a enviar novos hormônios que desencadeiam as alterações na puberdade.

As alterações gerais em meninos e meninas incluem aumentos repentinos na altura e no peso, o desenvolvimento de características sexuais secundárias (a aparência de uma mulher ou de um homem adulto) e interesse sexual aumentado (impulso sexual). Nas meninas, os ovários começam a aumentar a produção de estrógeno e de outros hormônios "femininos". Nos meninos, os testículos aumentam a produção de testosterona. As glândulas sudoríparas tornam-se mais ativas e o suor produzido tem um conteúdo levemente diferente de quando uma criança era pequena (começa a aparecer mais de um odor). As glândulas de óleo tornam-se mais ativas e pode aparecer acne. Nesse momento, a importância da higiene pessoal torna-se aparente e é importante para os meninos e meninas que estão tornando-se maduros prestarem atenção a banhos regulares e a outros aspectos de higiene. O adolescente pode descobrir que um desodorante ou antiperspirante embaixo do braço se faz necessário.

PUBERDADE NAS MENINAS
A puberdade geralmente ocorre, nas meninas, entre os 9 e 16 anos. O início dos períodos menstruais (menarca) é um dos sinais mais visíveis de que as meninas entrou na puberdade. Antes de apresentar seu primeiro período menstrual, a menina pubescente normalmente apresenta:
crescimento rápido, especialmente um aumento na altura
aumento das mamas
crescimento dos pelos pubianos, nas axilas e nas pernas
secreções vaginais claras ou esbranquiçadas
largura do quadril aumentada
Os ovários aumentam a produção de estrógeno e de outros hormônios e isso inicia o ciclo menstrual mensal. Ter períodos menstruais é somente uma parte desse ciclo. As meninas nascem com um local para o crescimento de bebês (o útero). Próximo ao útero, há duas glândulas pequenas (os ovários). Os ovários produzem "hormônios femininos" e iniciam a liberação de "ovos", armazenados nos ovários desde o nascimento. Todo mês (aproximadamente), um ovário libera um "ovo". Esse "ovo" viaja por um tubo que conecta o ovário ao útero (as tubas uterinas [trompas de falópio]). Em cerca de 3 ou 4 dias, o ovo chega ao útero. Durante esse período, o revestimento do útero (endométrio) começa a tornar-se espesso, enchendo-se com sangue e líquido. Isso acontece para que o ovo, se fertilizado, possa crescer nesse revestimento espesso, a fim de produzir um bebê.

O "ovo" pode ser fertilizado, se uma relação sexual sem proteção ocorrer durante esse período "fértil". quando uma célula de esperma (do homem) e um "ovo" (da mulher) se unem, ocorre uma gestação.

Se o "ovo" não é fertilizado, ele se dissolve e o endométrio é escoado pela vagina, provocando um período menstrual. Entre os períodos menstruais, pode haver uma secreção vaginal clara ou esbranquiçada, o que é normal.

O ciclo menstrual ocorre com intervalos de cerca de um mês (28 a 32 dias). Primeiro, os períodos menstruais são geralmente irregulares. Pode haver um intervalo de dois meses entre períodos ou pode haver 2 períodos em um mês. Com o tempo, os períodos tornam-se mais regulares. É aconselhável que a menina acompanhe quando ela tem um período menstrual e quanto tempo o período dura, por meio de um calendário. Isso pode ajudar a ver qual é seu padrão individual e a prever quando terá o próximo período menstrual.

Geralmente, as diferentes fases do ciclo menstrual não são desconfortáveis e a maioria das meninas não apresenta qualquer problema. Cólicas, quando presentes, geralmente são leves. Cólicas menstruais graves devem ser avaliadas por um médico. Pode haver, no entanto, outras alterações cíclicas hormonais e físicas, como por exemplo, logo antes ou durante um período menstrual, a menina pode sentir-se "mal-humorada" ou emotiva e inchada. A TPM (síndrome pré-menstrual) pode começar a aparecer, especialmente conforme as meninas ficam mais velhas.

Nas meninas, a maturação geralmente está concluída aos 17 anos. Conseqüentemente, qualquer aumento na altura após essa idade é incomum. Embora a maturidade física completa tenha sido alcançada, a maturidade emocional e educacional permanecem processos em andamento. É importante lembrar, que a fertilidade (geralmente presente aos 12 anos de idade) precede a maturidade emocional e a gestação pode ocorrer, e geralmente ocorre, antes que a adolescente esteja preparada para a maternidade.

PUBERDADE NOS MENINOS
A puberdade geralmente ocorre, nos meninos, entre 13 e 15 anos de idade. Ao contrário das meninas, não há sinais visíveis que digam ao menino que ele entrou na puberdade. No entanto, o menino pubescente geralmente apresenta:
crescimento acelerado, especialmente altura
aumento da largura dos ombros
crescimento do pênis e dos testículos
alterações na voz
crescimento de pêlos pubianos, barba e de pêlos embaixo do braço
ejaculações durante a noite (emissões noturnas; "sonhos molhados")
Existem 5 estágios no desenvolvimento puberal dos meninos:
O primeiro estágio é conhecido como período puberal e é caracterizado por pelos pubianos penugentos, semelhantes aos encontrados no abdome.
No segundo estágio da puberdade, observa-se um aumento do escroto e dos testículos. O aumento do escroto é acompanhado por avermelhamento e pregueamento da pele. Os primeiros pelos púbicos esparsos tornam-se aparentes.
O aumento do pênis começa durante o terceiro estágio do desenvolvimento puberal. A maior parte desse desenvolvimento ocorre no comprimento do pênis, embora possa haver pequenas alterações no diâmetro do corpo do pênis. Mais aumento e desenvolvimento do escroto e testículos ocorrem e o pêlo pubiano torna-se espesso. Outras alterações que envolvem o pêlo pubiano incluem encrespamento e engrossamento da textura.
Essas alterações continuam durante o quarto estágio, acompanhadas por um aumento das glândulas penianas e por espessamento do pêlo na área pubiana.
O quinto estágio é a conclusão da maturação sexual. O pênis, escroto e testículos estão totalmente maduros e no tamanho adulto. O pelo pubiano preenche a área pubiana e se estende para a superfície das coxas e até o abdome. Aumento nos pelos do corpo, alterações na voz e outras alterações físicas são chamadas de características sexuais secundárias da puberdade e são conseqüências de alterações nos níveis hormonais no corpo masculino.
Ao contrário dos ovários, sua contraparte feminina, os testículos fabricam constantemente sua contribuição reprodutiva, o esperma. O processo de produção do esperma é denominado de espermatogênese. Embora um volume de esperma possa ser armazenado em uma estrutura que se estende para fora dos testículos, chamada epidídimo, esse esperma deve ser liberado, de tempos em tempos, como parte do processo fisiológico normal, para dar lugar a esperma recém-fabricado. Isso pode ocorrer automaticamente durante o sono, conhecido como uma emissão noturna ou "sonho molhado", ou após a masturbação ou relação sexual. As emissões noturnas podem ser uma preocupação comum para homens jovens entrando na puberdade, mas eles devem ser assegurados de que isso é uma parte normal da maturação.

ADOLESCÊNCIA
Adolescência refere-se ao período entre o início da maturação sexual (puberdade) e a idade adulta. É um período de maturação psicológica, de tornar-se "adulto" em comportamento.

A adolescência é estimada como sendo o período entre 13 e 19 anos de idade. O adolescente não passa apenas por alterações e crescimento físicos, mas também por alterações e crescimento emocionais, psicológicos, sociais e mentais. Durante esse período, espera-se que os adolescentes apresentem um comportamento e resposta adultos. Veja Idade escolar, Desenvolvimento infantil e Desenvolvimento do adolescente, para obter informações detalhadas sobre essas alterações.

PREOCUPAÇÕES COM A SAÚDE DO ADOLESCENTE
O adolescente enfrenta várias preocupações exclusivas com a saúde, como:
lesões acidentais (provocam aproximadamente 70% das mortes de adolescentes)
acidentes com veículos motorizados
afogamento
envenenamento (geralmente por overdose de drogas)
homicídio (segunda principal causa de mortes)
suicídio (terceira principal causa de mortes)
intoxicação por álcool
abuso de substâncias
depressão na adolescência
experimentação sexual
gestação na adolescência
doenças sexualmente transmissíveis
desnutrição, anorexia nervosa, bulimia
estresse infantil
Esses problemas são muito reais, conforme vistos nas estatísticas disponíveis na divisão de veículos motorizados do departamento de polícia, nas estatísticas policiais sobre prisão de adolescentes, nas estatísticas nacionais sobre mães solteiras e gestação na adolescência, nas estatísticas dos centros de controle e prevenção de doenças (CDC), nas estatísticas sobre doenças sexualmente transmissíveis em adolescentes (DST) e nas notificações contínuas de consumo de álcool e drogas por adolescentes. Informações e ajuda estão disponíveis por meio de vários órgãos, incluindo escolas, igrejas, polícia e outros grupos cívicos.

A conscientização sobre saúde e o cuidado com a vida, felicidade e satisfação devem se iniciar bem cedo, em casa, e continuar durante os anos de adolescência. Bons exemplos estabelecidos pelos pais, uma vida familiar estável e carinhosa, participação dos pais durante o processo de crescimento e atenção à educação podem contribuir mais para uma adolescência feliz que quaisquer outros recursos disponíveis.
Referência Bibliográfica:













Relação com o Surrealismo(Girafas em chamas):

É evidente a visualização no que se refere às gavetas como significando às várias possibilidades a partir do processo da constante mudança de humor decorrente desta fase de grandes mudanças tanto físicas bem caracterizada pelo corpo curvílineo da mulher de vestido marcando bem as suas formas e ao fundo a Girafa em chamas caracterizando de forma nítida os hormônios em ebulição neste período tanto de mudanças físicas com psicológicas.

Fundamentos e objetivos: A prática de exercício físico, além de combater o sedentarismo, contribui de maneira significativa para a manutenção da aptidão física do idoso. O objetivo do estudo foi verificar o efeito da prática de hidroginástica sobre a aptidão física do idoso associada à saúde.

1.2. Metodologia: Foi realizado um ensaio controlado em 74 mulheres idosas, sem atividade física regular. Um grupo de 37 mulheres recebeu duas aulas semanais de hidroginástica durante três meses e outras 37 mulheres serviram como controle. A aptidão física foi avaliada através da bateria de testes de Rikli e Jones (1999), com avaliações de força e resistência de membros inferiores (levantar e sentar na cadeira), força e resistência de membros superiores (flexão do antebraço), flexão de membros inferiores (sentado, alcançar os membros inferiores com as mãos), mobilidade física - velocidade, agilidade e equilíbrio (levanta, caminha 2,44m e volta a sentar), flexibilidade dos membros superiores (alcançar atrás das costas com as mãos) e resistência aeróbica (andar seis minutos). A bateria de testes foi aplicada antes do início das aulas e no fim do programa após três meses. Os grupos foram semelhantes em relação a idade, IMC, renda familiar e anos de escolaridade.

1.3. Resultados: Ao longo dos três meses, foram acompanhadas 30 mulheres em cada grupo; perda amostral de 18,9%. Observou-se no grupo da hidroginástica um melhor desempenho em todos os pós-testes, quando comparados com os resultados do próprio grupo no pré-teste e com o controle no pós-teste (p < 0,05).

1.4. Conclusão: Concluiu-se que a prática de hidroginástica para mulheres idosas sem exercícios físicos regulares contribuiu para a melhoria da aptidão física relacionada à saúde
O envelhecimento, processo inexorável aos seres vivos, conduz a uma perda progressiva das aptidões funcionais do organismo, aumentando o risco do sedentarismo1. Essas alterações, nos domínios biopsicossociais, põem em risco a qualidade de vida do idoso, por limitar a sua capacidade para realizar, com vigor, as suas atividades do quotidiano e colocar em maior vulnerabilidade a sua saúde2.

O sedentarismo, que tende a acompanhar o envelhecimento e vem sofrendo importante pressão do avanço tecnológico ocorrido nas últimas décadas, é um importante fator de risco para as doenças crônico-degenerativas, especialmente as afecções cardiovasculares, principal causa de morte nos idosos3,4. A prática de exercício físico, além de combater o sedentarismo, contribui de maneira significativa para a manutenção da aptidão física do idoso, seja na sua vertente da saúde como nas capacidades funcionais5. Entretanto, os exercícios físicos podem apresentar algumas limitações para os idosos, devido às modificações fisiológicas impostas com o processo de envelhecimento. A hidroginástica apresenta algumas vantagens para esse grupo populacional, com o aproveitamento das propriedades físicas da água possibilitando um melhor rendimento aos idosos, além de oferecer menores riscos6. Apesar desses benefícios em potencial, a prática da hidroginástica em idosos ainda é pouco estudada. Dessa forma, pretendemos avaliar os efeitos da prática da hidroginástica sobre a aptidão física funcional em mulheres idosas, sem atividade física regular
4. Metodologia
Foi realizado um estudo prospectivo, controlado, na Escola Superior de Educação Física da Universidade de Pernambuco (ESEF-UPE), Recife, PE, Brasil, no período de fevereiro a maio de 2001. Foram recrutadas de duas comunidades de baixa renda, localizadas na cidade do Recife, mulheres com idade acima de 60 anos que não praticavam e nem tinham praticado, nos últimos 12 meses, nenhum tipo de programa de exercício físico regular. Foram excluídas aquelas com contra-indicação de ordem médica para a prática de exercício físico, portadoras de deficiência neuromotora, não aprovadas na avaliação médica, além das participantes que não completaram mais de 90% do programa de atividade física estipulado.

O tamanho amostral foi calculado para um poder de 80% e um erro tipo I de 5%. Admitiu-se uma variação de média de 20% entre o pré e o pós-teste "sentar e levantar", sendo o tamanho da amostra calculado em 50 participantes. Estimando-se uma perda máxima da casuística em torno de 40%, optou-se por elevar o número da casuística para 74 participantes.

Os 74 participantes foram alocados em dois grupos distintos, de acordo com o local de residência. Ao grupo de treinamento (n = 37) foram ministradas aulas de hidroginástica, duas vezes por semana, com duração de 45 minutos, durante um período de 12 semanas. As aulas foram ministradas sempre pela manhã, numa piscina com profundidade de 1,20m, medindo 25m x 12,5m, com água na temperatura aproximada de 26 a 28°C. As aulas consistiam em quatro fases: 1 - Aquecimento (alongamento e flexibilidade, método estático, durante 5min); 2 - Exercícios aeróbicos (corridas, deslocamentos e movimentos combinados de braços e pernas, de modo intervalado, 1min para atividade e 1min para recuperação, durante 20min); 3 - Exercícios localizados (força/resistência dos membros superiores, inferiores e abdominais, utilizando a resistência da água, durante 15 minutos) 4 - Relaxamento (caminhadas lentas, por 5min).

A aptidão física foi mensurada através da bateria de testes desenvolvida por Rikli e Jones7, sendo avaliadas a força e resistência dos membros, flexibilidade, mobilidade física (velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico) e resistência aeróbica, respectivamente através dos testes: "levantar e sentar", "flexão do antebraço", "sentado e alcançar", "sentado, caminhar 2,44m e voltar a sentar", "alcançar atrás das costas" e "andar seis minutos". Todos os testes foram repetidos nas mesmas condições três meses após as aulas de hidroginástica.

Na análise, os resultados foram comparados, entre e dentro dos grupos, através da análise da variância com medidas repetidas e o teste t de Student para amostras pareáveis. Foi utilizado o programa de computador SPSS e foram considerados significativos os testes com o valor p menor do que 0,05.

O presente estudo atendeu as determinações da Declaração de Helsinque e a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade de Pernambuco e só foram admitidas ao estudo as participantes que deram o seu consentimento por escrito.

5. Resultados
Das 74 participantes recrutadas inicialmente para a pesquisa que realizaram a bateria de testes no "baseline", 14 (18,9%) não repetiram o pós-teste. No grupo estudo, sete participantes não completaram os três meses de aulas de hidroginástica, todas por motivos de saúde: doença vascular cerebral (2), cirurgia (2), doença familiar (2) e traumatismo (1). No grupo "controle", sete participantes não atenderam à convocação para a realização do pós-teste.

Os grupos foram comparáveis no "baseline" em relação a idade, renda familiar e anos de escolaridade, conforme apresentado na tabela 1.


6. Discussão
Observamos em nosso estudo uma melhora significativa em todos os testes de aptidão física aplicados, após o treinamento com aulas de hidroginástica. Esses resultados parecem comprovar a importância da prática de exercícios físicos, aqui a hidroginástica, na manutenção e melhoria da aptidão física, de mulheres idosas que levam a vida sem exercício físico regular.

Acreditamos que a metodologia empregue confira confiabilidade aos nossos resultados, pois os dois grupos estudados eram comparáveis nas suas principais variáveis socioeconômicas e biológicas, além dos testes terem sido aplicados com a mesma técnica e os mesmos instrutores, tanto no momento inicial como três meses após.

São descritos atualmente vários testes para a mensuração da aptidão física no adulto idoso. Optamos pelo de Rikli e Jones7 por ser mais completo, prático, replicável e de baixo custo operacional. Outra vantagem é que se trata de um teste já validado8.

Na literatura consultada, não identificamos nenhum estudo com metodologia semelhante ao nosso e que tenha avaliado os efeitos da hidroginástica sobre a aptidão física funcional de mulheres idosas. Isso dificultou a análise comparativa de nossos resultados.

No primeiro teste aplicado, o de "sentar-levantar", procuramos verificar basicamente a força e resistência do segmento corporal inferior9. Nossos resultados são semelhantes aos de Frontera et al.10 que verificaram em idosos um ganho de força de até 227% após um treinamento durante 12 semanas. Hagber et al.11 e Hicks et al.12 também verificaram incremento na força em homens e mulheres idosas que realizavam treinamento de força muscular de 12 a 26 semanas. Para alguns autores, esse teste apresenta um obstáculo na sua realização e interpretação dos resultados, a dor nas costas, queixa freqüente nessa população e que algumas vezes chega a inviabilizar a sua execução. Em nosso estudo, não observamos essa queixa em nenhuma das participantes.

O teste da flexão do antebraço avalia a força e resistência muscular do segmento superior do corpo. Nossos resultados foram compatíveis com as observações de McCartney et al.13 de que, apesar da diminuição da força do segmento superior corpóreo com a idade, essa alteração pode ser modificada com a prática de exercícios.

O teste de "sentar e alcançar" mede com acurácia a flexibilidade do segmento inferior do corpo (flexão dos quadris e da coluna vertebral)9. Em nosso estudo, os pacientes submetidos ao treinamento com a hidroginástica passaram a desenvolver esse teste com maior habilidade. Hoerger e Hopkins14, em estudo controlado com mulheres de 55 a 77 anos de idade, também constataram melhora na pontuação desse teste, após um programa de alongamento, caminhada e movimento de dança durante 12 semanas. É provável que a flexibilidade, trabalhada de forma adequada nos exercícios aquáticos, justifiquem esses achados.

O teste "alcançar atrás das costas" procura avaliar a movimentação geral do ombro: adução, abdução, rotação interna e externa. Em nossos resultados, também esse teste apresentou mudanças significativas após o período de três meses de treinamento com hidroginástica. Hubley-Kozey et al.15 observaram melhoras significativas na amplitude de movimento de várias articulações (pescoço, ombro, cotovelo, punho, quadril, joelho e tornozelo) em indivíduos idosos que participaram de um programa de exercícios regulares. Como o processo de deterioração osteoarticular acelera-se a partir dos 65 anos, um pequeno aumento na amplitude de movimento advindo com um trabalho de treinamento físico pode representar um ganho importante na qualidade de vida dessas pessoas16.

O teste "sentado caminhar 2,44m e voltar a sentar" avalia mobilidade, velocidade e equilíbrio dinâmico. Nossos resultados também demonstraram um efeito positivo das aulas de hidroginástica sobre o desempenho das participantes nesse teste. Lord e Castell17 relataram melhora do equilíbrio em idosos após a prática de exercícios físicos regulares durante 10 semanas. Topp et al.18 observaram tendência para melhora do equilíbrio, embora sem ser significativa do ponto de vista estatístico, nos idosos submetidos a um treinamento de força durante 12 semanas. Hoerger e Hopkins14 observaram aumento de 12% da mobilidade dos idosos, no final de um programa de exercício físico de 12 semanas de duração.

O teste do "caminhar durante 6 minutos" mede a resistência aeróbica, importante capacidade para que as pessoas consigam realizar tarefas quotidianas como andar, fazer compras ou atividades recreativas. Esse teste vinha sendo usado com sucesso para avaliar a resistência física de pacientes portadores de várias condições clínicas; entretanto, só recentemente foi validado para uso em pessoas idosas saudáveis19. Observamos, em nosso estudo, importante aumento da resistência aeróbica no grupo das participantes da hidroginástica. O exercício físico aumenta a potência aeróbica entre 10 a 40%, especialmente pelo incremento da diferença arteriovenosa de oxigênio, volume sistólico, débito cardíaco, volume plasmático e sanguíneo20.

Apesar de termos realizado o treinamento físico em um período de tempo relativamente curto, três meses, observamos expressivos resultados. Segundo Spirduso2, a melhoria da quantidade de força ocorre relativamente rápida, num tempo médio de dois meses, dados corroborados por Frontera et al.10. Alguns autores admitem que o ganho de força nos idosos ocorra de forma mais intensa do que nas pessoas mais jovens2. Justificam que as pessoas mais idosas, habitualmente, iniciam um programa de exercícios em condições físicas mais precárias do que aqueles mais jovens, o que proporcionaria ganhos relativos maiores. Para Matsudo21, entretanto, os efeitos dos programas de treinamento em idosos sobre o fortalecimento da musculatura são rapidamente perdidos com a suspensão dessa atividade com perda de 32% na força dentro de quatro semanas após a suspensão do treinamento. Dessa forma, é recomendada a manutenção desses programas para que esses resultados benéficos sejam duradouros. Em nosso estudo, recomendamos a todas, incluindo o grupo controle, a participação contínua e regular em programas de exercícios físicos, especialmente a hidroginástica.

A queda da aptidão física com o envelhecimento é um fato inexorável, que se inicia de maneira gradativa, ao redor da quinta década de vida. Entretanto, vários outros estudos, como o nosso, apontam para os benefícios dos programas de exercícios físicos para idosos, como medida profilática importante no sentido de preservar e retardar ao máximo os efeitos do envelhecimento sobre a aptidão física21,22. Além da melhoria na aptidão física, a atividade física também contribui para a redução das taxas de morbimortalidade nos idosos23,24.

7. Conclusões
Programas de hidroginástica, corroboram para a melhoria e manutenção da aptidão física nos idosos. Entretanto, há necessidade de um número maior de estudos, que avaliem os efeitos aqui abordados e outros, da hidroginástica sobre a aptidão física dos idosos.

Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo.

8. Referências
1. Kallinen M, Markku A. Aging, physical activity and sports injury. An overview of common sports injuries in the elderly. Sports Med 1995;20: 41-52.

2. Spirduso W. Physical dimension of aging. Champaign, Illinois: Human Kinetics, 1995.

3. Kalache A, Coombes Y. Population aging and care of the elderly in Latin America and the Caribbean. Rev Clin Gerontol 1995;5:347-55.

4. Pate R, Pratt M, Blair SN, Haskell W, Macera CA, Bouchard C, et al. Physical activity and public health: a recommendation from the Centers for Disease Control and Prevention and the American College of Sports Medicine. JAMA 1995;273:402-7. www.bireme.br

5. Vuori I. Exercise and physical health musculoskeletal health and functional capabilities. Res Q Exerc Sport 1995;66:276-85. www.bireme.br

6. Sheldahl LM, Tristani FE, Clifford PS, Kalbfleisch JH, Smite G, Hughes CV. Effect of head out a water immersion on response to exercise training. J Appl Physiol 1986;60:1878-81.


Terceira idade
Alterações anatômicas causadas pelo envelhecimento

Forma do corpo

A estatura começa a diminuir a partir dos 40 anos cerca de 1cm por década. Esta perda se deve à diminuição dos arcos do pé, aumento das curvaturas da coluna, além de um encurtamento da coluna vertebral devido a alterações nos discos intervertebrais. Os diâmetros da caixa torácica e do crânio tendem a aumentar. O nariz e os pavilhões auditivos continuam a crescer.

Ocorre aumento do tecido adiposo que tende a se depositar nos omentos, na região perirrenal e em substituição ao parênquima perdido dos diversos órgãos. No tecido celular subcutâneo, diminui o tecido adiposo dos membros e aumenta no tronco. O teor total de água do corpo diminuir por perda de água intracelular. O potássio intracelular também diminui.

Pele e pêlos

Ocorre uma diminuição da elasticidade, que somada à diminuição da pele e do subcutâneo, dá origem às rugas.

As glândulas sudoríparas e sebáceas diminuem, resultando em uma pele seca e áspera, mais sujeita a infecções.

No idoso diminui o número de melanócitos e de alças capilares, conferindo um aspecto mais pálido a pele.

Manchas da pele: Os melanócitos podem sofrer alterações no seu funcionamento em certas regiões como a face e o dorso da mão, levando à formação de manchas hiperpigmentadas, marrons, lisas e achatadas.

Pêlos: Há diminuição geral de pêlos no corpo. Fazem exceção as narinas, a orelha e as sobrancelhas. Na mulher, crescem no lábio superior e mento devido ao aumento de hormônios andrógenos e diminuição dos estrógenos.

Sistema Ósseo

No idoso, a espessura do osso compacto diminui devido a reabsorção óssea interna. No osso esponjoso há perda de lâminas ósseas, formando-se cavidades maiores entre as trabéculas ósseas. Os osteócitos diminuem em número e atividade com o envelhecimento. Há perda de cálcio na matriz.

As mulheres após a menopausa possuem um processo mais intenso de perda de tecido ósseo do que o ocorrido nos homens.

Sistema Muscular

No idoso algumas fibras musculares sofrem degeneração e são substituídas por tecido conjuntivo.

Sistema Nervoso

No interior das células nervosas ocorre acúmulo de lipofuscina (um pigmento ausente em células de recém-nascidos). Ocorre perda contínua de neurônios, especialmente no córtex dos giros pré-centrais, que é a área motora voluntária, giros temporais e córtex do cerebelo. Ocorrem alterações morfológicas nas células piramidais.

----Osteoporose e outras doenças osteometabólicas no idoso
Osteoporosis and other metabolic bone diseases in older people
Michel Alexandre Yazbek1, João Francisco Marques Neto2
RESUMO
A osteoporose é a doença osteometabólica mais comum em
ambos os sexos e possui um grande impacto na qualidade de vida
e na sobrevida. A ocorrência de fraturas osteporóticas aumenta
sensivelmente a morbimortalidade e a perda funcional do indivíduo
acometido, em qualquer período da vida, mas, principalmente na
terceira idade, por isso, todo médico que assiste o paciente idoso
deve lembrar-se da importância dos fatores de risco para perdas
ósseas e para quedas. A doença é mais freqüente no sexo feminino,
pois a defi ciência estrogênica verifi cada a partir dos primeiros anos
do período pós-menopausa aumenta muito o ritmo de aceleração de
perdas ósseas. A osteoporose em homens decorre, principalmente,
de mecanismos ligados essencialmente ao envelhecimento, como
a defi ciência de vitamina D, a absorção diminuída de cálcio e o
aumento dos níveis de paratormônio. O diagnóstico de osteoporose
é clínico e deve ocorrer somente após a exclusão de causas
secundárias de perda óssea, como as neoplasias ósseas e outras
doenças osteopênicas. O exame de densitometria mineral óssea
quantifi ca as perdas ósseas e é um bom preditor de fraturas.
O exame radiográfi co deve detectar deformidades ósseas ou
fraturas para que o tratamento seja prontamente instituído quando
indicado. A terapia de reposição hormonal foi substituída pelos
agentes anti-reabsortivos, especialmente os bisfosfonatos e o
ranelato de estrôncio, pela maior efi cácia e menos efeitos adversos
desses medicamentos. A teriparatida está indicada no paciente
com osteoporose grave e múltiplas fraturas; já a suplementação
com cálcio e vitamina D deve fazer parte de qualquer proposta
terapêutica.
Descritores: Osteoporose; Osteoporose/terapia; Fratura; Idosos;
Fatores de risco; Quedas; Doenças ósseas metabólicas; Teriparatida;
Cálcio; Vitamina D
ABSTRACT
Osteoporosis is the most common bone metabolic disease in both
genders, leading to a great impact in the quality of life and survival.
When pathologic fractures occur the mortality and the disability
increase in all ages, mainly in elderly. So every physician who
takes care of older people must remember the importance of risk
factors for bone losses and falls. Osteoporosis is more frequent
among women, mainly in the first years of postmenopausal
period, because of the effect of estrogenic deficiency which
increases the bone loss. Osteoporosis in men is a consequence
of other different mechanisms that happen in the elderly, such as
vitamin D deficiency, reduced calcium absorption and increased
parathyroid hormone levels. The diagnosis of osteoporosis is
clinic and must be issued after the exclusion of secondary causes
of bone losses, such as bone malignancy and other osteopenic
diseases. The bone mineral density test quantifies the bone losses
and is a good predictor of fractures. Radiographic evaluation
must detect bone deformities and fractures, which require
the most effective therapeutic procedures. The antiresorptive
skeletal agents, especially the bisphosphonates and strontium
ranelate, which are more efficient with less adverse effects, have
substituted the hormonal therapy. Teriparatide is an option in the
patient with severe osteoporosis and multiple fractures. On the
other hand, calcium and vitamin D supplies have to be always
associated with all the therapeutic proposals.
Keywords: Osteoporosis; Osteoporosis/therapy; Fracture; Elderly;
Risk factors; Falls; Bone diseases, metabolic; Teriparatide; Calcium;
Vitamin D
INTRODUÇÃO
A osteoporose (OP) é a doença osteometabólica mais
freqüente no paciente idoso. Acomete a ambos os sexos,
sendo mais freqüente na mulher, já que, no climatério,
a diminuição dos níveis estrogênicos precipita as perdas
de massa óssea. Aos 50 anos, a cada cinco fraturas por
OP na mulher ocorrem duas no homem. Aos 70 anos,
essa relação cai para três fraturas na mulher a cada duas
no homem(1).
O custo direto atribuído à OP é estimado em 38 milhões
de dólares, por dia, nos Estados Unidos. Aproximadamente
1 milhão de americanos sofrem fraturas
patológicas a cada ano(2). As conseqüências são diminuição
da qualidade de vida, perda da capacidade de
deambulação ou perda da capacidade de realizar atividades
básicas, como tomar banho e se vestir, além
do aumento da morbimortalidade. Dos pacientes que
fraturam o quadril, de 20 a 25% vão a óbito no ano sub-
1 Pós-graduando da Disciplina de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, São Paulo (SP), Brasil.
2 Professor Titular da Disciplina de Reumatologia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, Campinas (SP), Brasil.
Autor correspondente: Michel Alexandre Yazbek – Rua Castro Alves, 630 – apto 41 – Aclimação – CEP 01532-001 – São Paulo (SP), Brasil – Tel.: 11 3277-5009 – e-mail: m-yazbek@uol.com.br
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seqüente à fratura. Outros 25% não retornam mais às
suas condições funcionais anteriores à fratura.
AÇÃO DO ENVELHECIMENTO NA MASSA ÓSSEA
A massa óssea muda consideravelmente durante as várias
fases da vida. Na infância, adolescência e até os 35
anos de idade a massa óssea está em contínua e acelerada
formação. Nessa fase, atinge-se o pico de massa óssea
e, a partir daí, inicia-se um processo lento de perda óssea,
equivalente a 1,5% ao ano. No início da menopausa, 25%
das mulheres iniciam uma perda bem mais intensa (3 a
4% ao ano), passando a apresentar OP(1-3). Os homens
são acometidos pela OP por outros mecanismos, ligados
essencialmente ao envelhecimento. Neles, a diminuição
progressiva do calcitriol e da absorção intestinal de cálcio
levam a um aumento do paratormônio (PTH), o que
justifi ca a instalação da OP no sexo masculino. Após dez
anos de menopausa instalada, a maioria das mulheres diminui
o seu ritmo de perda óssea. Entretanto, aquelas
que desenvolveram OP mantêm um ritmo mais acelerado
de perdas, o que corresponde a um aumento considerável
do risco de fraturas.
Devem, então, ser considerados os diferentes fatores
de risco para perdas ósseas e também para quedas
e fraturas. Dentre esses, destacam-se, no idoso, os níveis
séricos inadequados de vitamina D (< 30 ng/ml),
responsáveis pela diminuição das condições funcionais
da musculatura dos membros inferiores. Isso justifi ca a
maior freqüência de quedas e fraturas associadas à insufi
ciência de vitamina D(2-3).
A exposição ao sol diminuída e a pele envelhecida,
em idosos, retardam a conversão da vitamina D para
sua forma ativa (colecalciferol) pela luz ultravioleta. A
defi ciência de vitamina D resultante reduz a absorção
de cálcio. Tais fatores, juntamente com uma dieta pobre
em cálcio e vitamina D contribuem para o aumento do
PTH e para maior reabsorção óssea. Os idosos hospitalizados
com fratura de quadril têm níveis séricos baixos
de 25-OH vitamina D e níveis altos de PTH, de deoxipiridinolina
urinária e de osteocalcina, quando comparados
com pacientes-controles, que recebem suplementação
adequada de vitamina D.
Vários fatores locais também parecem ser importantes
na patogênese da OP na mulher idosa com defi
ciência estrogênica. Os mais citados são interleucina
1 (IL-1), interleucina 6 (IL-6), antagonista do receptor
da interleucina 1 (IL-1 Ra) e fator de necrose tumoral,
do inglês, tumor necrosis factor (TNF). Entre as mulheres
com OP, altos níveis de IL-1 estão associados com
um aumento da remodelação óssea (medido pela histomorfometria
óssea e pela osteocalcina sérica), apesar
de não ser encontrada relação direta com a densidade
mineral óssea (DMO) dessa população(1,3-4).
FATORES DE RISCO PARA PERDAS ÓSSEAS
E FRATURAS PATOLÓGICAS NO IDOSO
Os fatores de risco para perdas ósseas e para fraturas
patológicas foram determinados e usados para identifi
car a necessidade de medidas preventivas ou de
intervenções terapêuticas. Os fatores que contribuem
para a perda óssea podem ser classifi cados como modifi
cáveis e não-modifi cáveis e são identifi cados no
Quadro 1.
Quadro 1. Fatores que contribuem para perda óssea
Não modifi cáveis Modifi cáveis
Idade avançada Fumo
Sexo feminino Ingestão baixa de cálcio
Raça caucasóide e faia (orientais) Ingestão baixa de vitamina D
História familiar de osteoporose Baixa exposição solar
História familiar de fratura de quadril Sedentarismo
Intolerância à lactose Índice de massa corpórea baixo
Desordens osteometabólicas Corticoterapia
Malignidades (mieloma, linfomas) Depressão/estresse
Já os fatores de risco para fraturas patológicas
incluem, em sua maioria, as causas de quedas do
paciente idoso. Assim sendo, foram identificados
presença de fratura prévia, sedentarismo, uso prolongado
de medicamentos que afetam a estabilidade
postural e a cognição, desordens neurovegetativas,
geometria do quadril alterada (colo do fêmur varo),
baixa DMO e alguns achados no exame físico, como
fraqueza de extremidades, instabilidade postural,
baixa acuidade visual e taquicardia ao repouso(2-3,5).
É sempre importante afirmar que todo médico que
assiste ao idoso deve lembrar os fatores de risco possíveis
para perdas ósseas e fraturas para poder estabelecer
um programa de prevenção adequado para o
seu paciente.
DIAGNÓSTICO E AVALIAÇÃO CLÍNICA
DO PACIENTE IDOSO COM OP
O diagnóstico da OP primária é, essencialmente, clínico,
baseado no reconhecimento dos fatores de risco
e na exclusão de outras condições desmineralizantes
(hiperparatireoidismo e neoplasias ósseas) (Figura 1).
A avaliação radiológica demonstra a ocorrência de
deformidades ou fraturas. A DMO quantifi ca as perdas
ósseas e é um bom preditor do risco de fraturas.
A National Osteoporosis Foundation (NOF) recomenda
que todos os homens e mulheres façam o exame
antes dos 65 anos(3-5). Segundo a NOF, a DMO
também deve ser feita nas mulheres com fatores de
risco adicionais após a menopausa, além dos pacientes
com fraturas patológicas e causas de OP secundária
(Quadro 2).
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Quadro 2. Causas comuns de osteoporose secundária
Endócrinas Terapia medicamentosa
Hipogonadismo
Hiperparatireoidismo
Hipertireodismo
Anorexia
DM tipo 1
Hipercortisolismo
Corticóides
Tiroxina
Anticonvulsivantes
Diuréticos de alça
Inibidores da aromatase
Agonistas gonadotrópico
Nutricionais Outros
Síndromes de má-absorção
Defi ciência / resistência à vitamina D
Defi ciência de cálcio
Alcoolismo
Hipercalciúria
DPOC
Doenças Infl amatórias crônicas
Transplantes
Figura 1. Algoritmo para avaliação da osteoporose
Avaliar fatores de risco:
Idade/Sexo
Peso/Altura
Fratura prévia/Causas secundárias
Avaliar estilo de vida:
Ingesta adequada de cálcio e vitamina D
Atividade física de impacto
Não-fumante
Homens e mulheres
acima de 65 anos de idade
Mulher na pós-menopausa
abaixo de 65 anos de idade
com fatores de risco
adicionais
Mulher na pré-menopausa
ou homem com fraturas
patológicas ou
causas secundárias
Considerar farmacoterapia
baseada pela DMO e
pelos fatores de risco
Realizar
densitometria mineral óssea
Reavaliação e
acompanhamento
clínico
Homem, mulher na pré-menopausa
ou na pós-menopausa abaixo de
65 anos de idade sem fatores
de risco adicionais
Osteoporose?
Em algumas ocasiões, não é possível fazer o exame
de DMO, principalmente entre os idosos institucionalizados
com mobilidade restrita. Nesses pacientes, os
exames laboratoriais de metabolismo fosfocálcico, secundados
pela avaliação radiológica, podem orientar o
diagnóstico e o tratamento(2).
AVALIAÇÃO LABORATORIAL E O SCREENING
PARA OP SECUNDÁRIA
Um screening para as principais causas de OP secundária
deve ser feito por meio de alguns exames laboratoriais
citados no Quadro 3. É importante lembrar que,
a dieta pobre em cálcio, a defi ciência e a resistência
à vitamina D, comumente contribuem na patogênese
Quadro 3. Avaliação laboratorial da osteoporose
Avaliação bioquímica do sangue: cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalina,
creatinina
Hemograma completo
TSH
25 (OH) vitamina D
PTH
Homocisteína
Testosterona total (homens)
da OP e das fraturas patológicas no paciente idoso.
A medida dos níveis séricos da 25-hidroxivitamina D
(precursor do metabólito ativo da vitamina D) é o melhor
índice para avaliação do status da vitamina D no
organismo.
Os marcadores bioquímicos de remodelação óssea
incluem aqueles que marcam tanto a reabsorção
quanto a formação óssea. Assim, os marcadores de reabsorção
óssea incluem piridinolina, deoxipiridinolina,
N-telopeptídeo do colágeno tipo 1 e C-telopeptídeo do
colágeno tipo 1. Os marcadores de formação óssea são
a osteocalcina e a fosfatase alcalina óssea. Tais marcadores,
particularmente os de reabsorção óssea, forneceram
algumas informações úteis em pesquisas clínicas
na predição do risco de fratura e resposta à terapia. Porém,
devido aos erros de medida e à variação fi siológica,
esses marcadores possuem pouca utilidade clínica no
diagnóstico e monitoramento clínico do paciente(1,5).
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
DAS PERDAS ÓSSEAS NO IDOSO
Em todo idoso com fratura patológica vertebral ou fratura
de quadril, a defi ciência de vitamina D e os diseinstein.
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túrbios osteometabólicos correlacionados devem ser
investigados. Assim, algumas doenças como a osteomalácia,
o hiperparatireoidismo e o hipertireoidismo
devem sempre ser lembradas no diagnóstico diferencial
da OP.
OSTEOMALÁCIA
A mineralização óssea inadequada nas crianças pode
causar deformidades ósseas características, que compõem
a síndrome do raquitismo. Porém, nos idosos,
o diagnóstico diferencial entre a osteomalácia e a OP
torna-se mais sutil e mais difícil, já que o paciente
pode ser assintomático e os sinais físicos, não signifi
cativos.
A sintomatologia da osteomalácia inclui dor óssea,
fadiga e difi culdade para andar. Em adultos, a mineralização
inadequada pode levar à cifose dorsal, à coxa
vara e ao característico “peito de pomba”, mas, em muitos
pacientes, tais deformidades podem não ocorrer. O
diagnóstico deve ser pensado, principalmente, naqueles
indivíduos com baixos níveis séricos de cálcio e de fósforo,
além de fosfatase alcalina elevada(6).
HIPERPARATIREOIDISMO
O hiperparatireoidismo é uma desordem generalizada
do cálcio, do fosfato e do metabolismo ósseo
resultante de uma secreção exacerbada de PTH. O
excesso de hormônio circulante causa hipercalcemia
e hipofosfatemia com um quadro clínico variável. É
sempre importante lembrar que a exclusão de neoplasias
seja cuidadosamente realizada na presença de
hipercalcemia.
As manifestações clínicas podem ser discretas e a
doença pode apresentar um curso benigno por muitos
anos ou por toda a vida. O paciente pode apresentar-se
com nefrolitíase recorrente, úlceras pépticas, desordens
mentais e reabsorção óssea aumentada, com imagens
radiográfi cas características(7).
ABORDAGEM TERAPÊUTICA DA OP NO IDOSO:
AS OPÇÕES FARMACOLÓGICAS
E NÃO-FARMACOLÓGICAS
O papel da atividade física, dieta e hábitos de vida
O exercício físico é um componente importante no
tratamento da OP. Os praticantes de exercício regular
(aeróbico, contra resistência e com impacto) têm suas
medidas densitométricas melhores que os sedentários,
além de aumentar a massa muscular e melhorar a agilidade,
o equilíbrio e a sensação de bem-estar(5,8). A
fi sioterapia é especialmente importante após fraturas
vertebrais de compressão, propondo alternativas na redução
da dor e mudanças biomecânicas que ajudem na
prevenção de quedas.
A alimentação rica em cálcio deve ser encorajada
em todos os idosos, assim como devem evitar alimentos
com elevados teores de sódio e de proteína. A falta de
exposição solar, muito comum em idosos pouco ativos,
com defi ciência de vitamina D, é outro fator que não
deve ser esquecido pelos médicos.
Alguns estudos também relacionam o fumo e o álcool
em excesso a maiores riscos de fratura(1,5). Portanto,
o aconselhamento ao paciente e a seus familiares é
essencial.
Na prevenção de fratura de quadril, o protetor externo
absorve a energia do impacto da queda e tem
sido uma boa opção para os idosos com alto risco de
fratura(8).
Cálcio e vitamina D
A suplementação de cálcio é recomendada a toda mulher
menopausada e a homens acima de 65 anos, como
prevenção de perda óssea. A dose recomendada é de
1.200 a 1.500 mg por dia. O cálcio ingerido reduz o hiperparatireoidismo
associado à idade avançada e melhora
a mineralização do osso neoformado(5,9-10).
A vitamina D é essencial para manter saudável a
estrutura do esqueleto e melhorar a absorção de cálcio.
A insufi ciência dessa vitamina na dieta é um grande
problema entre os idosos, especialmente pela falta de
exposição solar(2,9). Cerca de dois terços dos pacientes
com fratura de quadril têm defi ciência de vitamina D
[25(OH) vitamina D sérica < 15 ng/ml].
Os agentes anti-reabsortivos
Os agentes anti-reabsortivos suprimem a atividade dos
osteoclastos, diminuem o ritmo da remodelação óssea
e promovem um aumento da mineralização da matriz
óssea. Esses agentes aumentam a DMO na presença de
osteopenia ou OP e reduzem o risco de fraturas(9,10).
A terapia de reposição hormonal (TRH) com estrogênio
diminui a reabsorção óssea ao bloquear a
sinalização das citocinas nos osteoclastos, o que aumenta
a DMO e reduz a incidência de novas fraturas
vertebrais em 50%. Porém, devido à disponibilidade
de outras drogas efi cazes no tratamento da OP e aos
riscos cardiovasculares e de câncer de mama aumentados,
o uso da TRH foi deixado em segundo plano no
tratamento da OP(1,10).
A calcitonina é um peptídeo endógeno que inibe
parcialmente a atividade do osteoclasto, é recomendado
o seu uso na forma subcutânea ou nasal somente
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para pessoas com fraturas recentes por OP, pois auxilia
no alívio da dor. Os outros agentes são mais potentes e
são preferidos no tratamento.
Os bisfosfonatos são os agentes anti-reabsortivos
mais prescritos e, freqüentemente, são escolhidos como
tratamento da OP. Eles inibem a ação dos osteoclastos
na matriz óssea e propiciam a apoptose dessas células.
O alendronato e o risedronato sódico mostraram, em
trials randomizados, aumentar a DMO e, entre as mulheres
menopausadas com OP, foi demonstrado que
ambos diminuem tanto o risco de fraturas vertebrais
como de não-vertebrais. O ibandronato sódico foi aprovado
na administração mensal na dose de 150 mg, com
efi cácia comprovada pelo estudo MOBILE, com maior
adesão do paciente ao tratamento(11). Mais recentemente,
o estudo HORIZON mostrou que a infusão anual
de ácido zolendrônico permitiu redução signifi cativa de
fraturas vertebrais e de fraturas de quadril em mulheres
menopausadas, com média de 73 anos de idade(12).
Outras opções para tratamento são o raloxifeno e o
ranelato de estrôncio. O primeiro é um modulador do receptor
de estrogênio que inibe a reabsorção óssea pelos
mesmos mecanismos do estrógeno. Esse agente diminui
o risco de fratura vertebral, mas não possui efeito no risco
de fraturas não-vertebrais. Já o ranelato de estrôncio,
na dose de 2 g diários, mostrou-se efi ciente no decréscimo
do risco de fraturas vertebrais e não-vertebrais, mas
os eventos adversos relatados no sistema vascular e no
sistema nervoso restringem o uso da medicação em pacientes
com afecções vasculares ou neurológicas.
A ação anabólica da teriparatida
A teriparatida, paratormônio recombinante humano
(PTH), é um agente anabólico que aumenta o número
de trabéculas ósseas e o número de interconexões trabeculares,
restaurando a microarquitetura e fortalecendo
o osso trabecular. É administrado diariamente na
forma subcutânea e promove um aumento signifi cativo
da DMO vertebral e não vertebral, o que diminui o risco
de fratura vertebral. A redução da taxa de fratura de
quadril foi insufi ciente, como foi mostrado no Fracture
Prevention Trial, em mulheres menopausadas.
O PTH está indicado para pacientes com OP grave
e com alta prevalência de fraturas patológicas, sem
resposta a outras terapias medicamentosas. O risco
de hipercalcemia existe durante o tratamento e, por
essa razão, o cálcio sérico deve ser cuidadosamente
monitorado(13- 14).
CONCLUSÕES
A prevenção e o tratamento da OP tornaram-se um importante
problema de Saúde Pública. A incapacidade
física, a mortalidade e os custos de fraturas patológicas
vertebrais e de quadril são crescentes com o envelhecimento
da população. É sempre importante a realização
da densitometria mineral óssea em idosos para o diagnóstico
de OP antes da ocorrência da fratura, pois ela
prediz o risco de fratura, como já foi demonstrado em
muitos estudos. Os fatores de risco para perda óssea devem
ser avaliados e modifi cados, quando possível, para a
prevenção da OP e para a instituição de um tratamento
adequado.
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A Qualidade de Vida na perspectiva da Organização Mundial de Saúde

Foi neste contexto, de simultânea relevância e de falta de precisão conceptual do
conceito de qualidade de vida, ao qual correspondia uma proliferação de instrumentos de avaliação, muitos deles sem base conceptual e a maioria ancorados na cultura americana que, no início da década de 90, a OMS reuniu um conjunto de peritos pertencentes a diferentes culturas com o objetivo de debater o conceito de QDV e, subsequentemente, construir um instrumento para a sua avaliação: o WHOQOL. A definição de qualidade de vida foi a primeira preocupação do WHOQOL Group. Logo nos primeiros documentos do Grupo, QDV surge definida como a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. Esta definição explícita uma concepção abrangente de QDV, influenciada de forma complexa pela saúde física, estado psicológico, nível de independência, relações sociais, crenças pessoais e suas relações com aspectos do meio envolvente em que o indivíduo está inserido (WHOQOL Group, 1995). Composto por seis domínios (físico, psicológico, nível de independência, relações sociais, ambiente e aspectos espirituais/religião/crenças pessoais), em cada um, várias facetas da qualidade de vida sintetizam o domínio particular de qualidade de vida em que se inserem, num total de 24 facetas específicas e uma de QDV geral. Cada faceta do WHOQOL pode ser caracterizada como uma descrição de um comportamento, um estado, uma capacidade ou uma percepção ou experiência. Subjectiva. A primeira versão em língua portuguesa do WHOQOL-100 foi desenvolvida para Português do Brasil, em Porto Alegre (FLECK ET AL., 1999a, 1999b, 2000).

Trabalho de conclusão de Curso de
Licenciatura Plena em Educação Física da
Faculdade de Ciências da Unesp, campus
de Bauru pela disciplina Trabalho de
Formatura ministrada pela Profa. Marli
Nabeiro.Bauru ,2006.

Maturidade sexual: o sexo na terceira idade




A vivência da sexualidade com a diminuição da produção hormonal na mulher climatérica - fase da vida em que ocorre a transição do período reprodutivo ou fértil para o não reprodutivo, devido à diminuição dos hormônios sexuais produzidos pelos ovários - traduz a continuidade de um processo iniciado na infância e que culmina com a menopausa.

São as alegrias, culpas, vergonhas e repressões somadas às modificações fisiológicas e anatômicas que a idade impõe que irão determinar a conduta sexual na maturidade da vida.

Os sentidos responsáveis pela eroticidade, alheios a normas sociais, continuam a se manifestar, porém algumas mulheres passam a inibir toda e qualquer possibilidade de emoção sexual, podendo muitas vezes o desejo ser vivenciado com culpa, quando na verdade o simples fato de poder fazer sexo produz aumento da autoestima, além de retardar o envelhecimento de alguns órgãos do corpo humano.

O pico de responsividade sexual ocorre nos homens aos 18 anos, devido à plenitude hormonal máxima, e entre as mulheres aos 35 anos de idade, quando então já conhecem o próprio corpo, ocasião em que estão mais seguras sexualmente. Com o amadurecimento orgânico de ambos os sexos, a resposta fisiológica à excitação tende a se tornar mais lenta com o passar dos anos, dificultando a quem só conhece o sexo genitalizado, sem preâmbulos para uma vivência sexual mais saudável e sem exigências. Na maturidade, a conduta sexual está alterada por diversos fatores, e a ambos os sexos vêm fugindo-lhes as funções para as quais foram treinados: reprodução e virilidade. Se restritos à penetração, provavelmente haverá poucas chances de prazer.

A UNESCO aponta que em 2050 uma de cada cinco pessoas será idosa, e a sociedade evita enxergar como semelhante o idoso, não lhe sendo permitido exibir amor, ciúme, aptidão sexual e desejo. Saúde é a situação de bem-estar biopsicossexual, e não somente ausência de doenças. Se considerarmos climatério uma síndrome (conjunto de sinais e sintomas que caracterizam uma doença), não se pode negar que todas as mulheres são ou serão um dia doentes, o que seria um absurdo. Como doença é uma alteração orgânica que foge à norma, seria um contrassenso explicar climatério como um distúrbio de saúde. Mitos, tabus e variáveis individuais influem nesse portal de passagem que já foi associado à perda da identidade feminina.

A menopausa é um processo de transição que causa desorganização temporária de referenciais, com perdas e ganhos. Os impactos adequadamente aceitos e incorporados implicam no amadurecimento para a continuidade de uma vida sexual adaptada a novos padrões. No climatério normalmente o foco genital diminui, e valores como aspectos da vida, relações sociais, familiares e conjugais influem de maneira considerável.

É um período de maior vulnerabilidade para a exacerbação de transtornos psiquiátricos, particularmente quando existe histórico de quadros depressivos (quatro vezes maior nas mulheres do que em homens na terceira idade) e em mulheres com histórico de ciclos irregulares. A irregularidade hormonal apresentada durante o período do ciclo reprodutivo funcionaria como um gatilho na menopausa, agindo no sistema nervoso central – o maior órgão-alvo dos hormônios que modulam o comportamento.

Os níveis hormonais menores, concomitantes a medicamentos, tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada, podem reduzir o fluxo sanguíneo na pelve, diminuindo o estímulo venoso na fase de desejo, porém estudos demonstram que pacientes na faixa dos 60 e dos 70 anos sem uso de terapia de reposição hormonal, porém sexualmente ativas, apresentavam taxas hormonais maiores que aquelas sexualmente inativas.

A longevidade alcançada nas últimas décadas torna o sexo possível após a terceira idade e o erotismo torna mais lentas as modificações de envelhecimento do organismo, estimulando a criatividade intelectual e melhorando a autoestima, diminuindo depressões pelo aumento das serotoninas. Os transtornos do desejo sexual são fenômenos clínicos reais, constituindo essas síndromes entidades patológicas reais entre os idosos, pois adquirem importância devido à maior expectativa de vida. Além disso, a velhice está sendo redefinida em termos mais positivos, resultando na reivindicação de uma boa saúde sexual.

Paradoxalmente algumas drogas que permitem uma sobrevida melhor têm efeito devastador na libido, porém essas questões estão sendo equilibradas com uma melhor abordagem médica na terapia sexual e nos exames periódicos de controle hormonal.



Conclusão

A capacidade e o desempenho sexual na terceira idade são resultantes dos aspectos biopsicossociais da vida pregressa de cada indivíduo. Geralmente a intensidade da reação fisiológica e a duração da resposta anatômica ao estímulo sexual são reduzidas em todas as fases do ciclo sexual, porém, apesar de todas as mudanças involucionais nos órgãos reprodutivos e de todas as influências negativas do ponto de vista sociocultural, a resposta orgástica pode ser satisfatória, principalmente quando exposta regularmente a estímulo erótico.





Dr. Amaury Mendes Junior é médico ginecologista, sexólogo e possui pós-graduação em terapia sexual. Desenvolve pesquisas na área de sexualidade humana. http://www.amaurysexologo.med.br